• CMurville

A MOÇA


Silhueta esvoaçante para quem passava de carro

Figura anônima para quem estava ao lado

Mas quem era?

Segurava o celular, aguardava uma chamada, mandava mensagens, checava novidades.

Tinha compromisso, estava aflita, conferia as horas

Nada disso: combinava com as amigas o programa da noite

Mas carregava uma mochila, ia à escola.

Jovens vão à academia!

Esboçou um sorriso

Emprego novo à vista

Compraria um carro, faria uma viagem, se mandaria dali!

A loucura seguia solta

Mais suposições:

Para onde ia mesmo?

À uma entrevista de emprego, ao médico, visitar a mãe, fazer compras, encontrar o namorado.

Não tinha namorado!

Mas estava de sandália dourada

Salto alto, com certeza. Moça bonita e atraente.

Tinha que ir à feira, arrumar a casa

Não de salto alto!

Uma onda de calor rondou seu corpo

Informações disparatadas e ruidosas insistiam em penetrar sua intimidade

Olhou em volta

De onde vinha o incômodo, a sensação desagradável?

Mais projeções descontroladas de mentes agitadas

Estava triste, apreensiva ou seria emoção?

Era o emprego novo

Havia brigado com o namorado

Então tinha namorado?

Não. Era o incômodo!

O desentendimento foi com a mãe

Ou teria sido com a irmã?

A avó morreu.

Quietos! Silêncio!

Chega de suposições inconvenientes!

Ninguém sabia de nada

Era apenas uma moça no ponto de ônibus!


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