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CHAPÉU DE BURRO


O garoto estava mesmo endiabrado aquele dia. Brigava com tudo mundo, resmungava o tempo todo, lançava olhares desagradáveis e só falava bobagem. Ninguém aguentava o moleque, nem mesmo seus colegas mais próximos de escola.

Até parecia que saía fumaça da cabeça do menino, que não conseguia se acalmar. Com certeza, um clarividente veria a energia do sangue e dos humores desequilibrados subindo à cabeça e saindo pelas têmporas do garoto, em forma de chifres. Ou, então, repararia na cabeleira de medusa do encapetado, com as nuvens de serpentes rodopiando ao redor dele, remetendo aos inúmeros desejos e pensamentos descontrolados que o acompanhavam.

Felizmente, a professora era sábia. Percebeu a dificuldade do menino em controlar os ventos perversos que o atravessavam. Colocou um chapéu de burro, em formato de cone, na cabeça dele e cortou a ponta de cima do chapéu para forçar um alinhamento energético. As energias que subiam à cabeça do garoto passaram, então, a sair reto para o alto e não mais em chifres.

Sentado no canto da sala, aos poucos, o menino se acalmou. Aquietou a mente exacerbada, limpou o olhar e voltou para si, para o coração. Recuperou o equilíbrio. #crônica #autora #autoranacional #energia #burro #chapéu #humores #desequilíbrio #equilíbrio #literatura #literaturanacional #literaturacontemporânea #literaturabrasileira #Leia #LeiaLiteraturaNacional #eulionacional #leiamais

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