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A MANGA

  • Foto do escritor: CMurville
    CMurville
  • 7 de set. de 2020
  • 2 min de leitura

No jardim, ao lado do portão de casa, tem uma mangueira frondosa. Parte de sua copa invade a calçada de modo que, na época dos frutos, toda a vizinhança tem acesso a mangas deliciosas, doces como mel.


Em certa ocasião em que a vizinha passeava com seu cão na frente de casa, uma manga madura caiu no pé dela. A mulher ficou muito brava, calçava sandálias. Onde já se viu plantar uma mangueira ali, dizia ela enraivecida. Queixou-se do pé dolorido, sentia o hematoma, teria que ir ao médico, poderia perder a unha. Queria que eu cortasse a árvore. Segundo ela, eu era a culpada pelo acontecimento desagradável. Afinal, eu tinha deixado a mangueira crescer para fora do meu terreno. Deveria, ao menos, ter recolhido os frutos maduros!


Olhei para o pé machucado. Não estava nem roxo, mas propus acompanhar a vizinha ao pronto-socorro. Pedi desculpas pelo ocorrido. Prometi colher as mangas maduras.


Mas a mulher estava tão enfurecida que nem me ouviu direito. Voltou para casa falando sozinha. Passou o dia remoendo o episódio da manga assassina e espalhou no bairro o quanto eu era irresponsável, que as mangas poderiam machucar crianças e tudo mais.


Uma semana depois, a vizinha continuava resmungando. E de tanto coçar o pé, a pele foi ficando irritada. A mulher não conseguia esquecer o trauma, o pé, a manga, a vizinhança inconsequente e culpada por sua dor. Presa nesses pensamentos, continuou esfregando e cutucando o coitado do pé, de modo que, mais alguns dias, acabou mesmo aparecendo uma ferida.


Mas a vizinha não me perdoava pelo ocorrido. Portanto, como uma bola de neve que vai rolando e crescendo, a cada dia, o problema do pé aumentava e a ferida piorava, tornando ainda mais difícil deixar para trás o evento fatídico que poluía sua mente. Finalmente, ela teve mesmo que consultar com um médico para fazer um curativo que a impedisse de continuar cutucando o machucado.

Ainda bem que foi uma manga que caiu no seu pé, disse o médico ao ouvir a história da vizinha. Imagine se a árvore fosse uma jaqueira!


1 comentário


katrinacha.vez.52.0.2
15 de jun.

This was a nice read because it stayed simple and didn’t make me feel like I had to decode anything. I liked how it explained the reasoning behind the tips instead of just dumping a checklist, and the quick everyday examples helped it stick. Halfway through I ended up clicking around newimage.io for a bit since it gives off the same “helpful but not overwhelming” vibe when you want to explore more. What I appreciated most was how easy it was to skim without losing the point, since everything was broken up cleanly. It didn’t feel like recycled advice either—more like someone actually tried this stuff and wrote down what worked. The short paragraphs and clear headings made the page…

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