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BORBOLETAS


Borboletas são fantásticas! Voam, são coloridas, apresentam padrões geométricos diversos em suas asas, polinizam flores. Recentemente, conheci mais uma qualidade das borboletas. Suas asas são autolimpantes! Impossível encontrar uma borboleta suja de terra ou coberta de resíduos que não lhe pertençam! Mimetizando esta propriedade natural das borboletas, cientistas criaram uma estrutura que, como filtro, pode ser usada para revestir vidros de fachadas de construções, tornando-as assim autolimpantes. Em breve, ninguém mais terá que limpar vidros! Que maravilha! A dona de casa agradece!

Para alguns, as borboletas são símbolo de liberdade e mesmo de iluminação. Mas será que isso teria alguma relação com o fato de elas sempre se manterem limpinhas? Curiosamente, a folha da flor de lótus também apresenta característica autolimpante.

Ao longo da vida, passamos por diferentes experiências, mais ou menos alegres, felizes, sofridas, leves ou pesadas. Recebemos impressões das vibrações que nos rodeiam, que eventualmente nos afetam profundamente e deixam marcas em nosso campo de energia. Também, o acúmulo de energia mental e emocional liberada pelas pessoas forma um campo de força poderoso capaz de envolver mais gente, influenciar comportamentos, criar desejos, expectativas e mesmo cercear movimentos, impingir crenças e modos de viver e pensar. Há sempre o risco de sermos embrulhados por formas-pensamento que não nos pertencem, roubam energia, turvam olhares e arrastam para o mundo da inconsciência de grupo.

Podemos, por exemplo, sair de um encontro pensando como o amiguinho, achando isto ou aquilo do vizinho, ou de nós mesmos, replicando comportamentos e falas de outros. Ocasionalmente, pensamentos insistentes rondam nossa cabeça, impedindo-nos até de enxergar claramente o que acontece à nossa volta.

Porém, nós também afetamos o ambiente e os outros com o que carregamos dentro de nós e projetamos à nossa volta, que pode ser amor, bondade, honra, respeito, ou então, inveja, rancor e qualquer outro sentimento de mal-estar que nutrimos e cuja referência mantemos em nossa aura. E se vivemos amargurados, de cara amarrada, reclamando da vida, acusando e julgando todo mundo, cheios de segundas intenções, não há como essa sujeira não deixar marcas em nossas asas!

Afinal, talvez sejamos como as borboletas, tendo apenas que aprender a nos manter sempre limpinhos, sem informações desarmônicas gravitando ao nosso redor. Senão, continuaremos vivendo como lagartas, aprisionados em casulos de memórias incômodas, que exacerbam pensamentos, atrapalham o sono e a percepção da realidade, minando a capacidade de discernir o que é verdade ou mentira, ou seja, criação da própria mente.

Ser lagarta ou borboleta, eis a questão! Porém, seguir o exemplo das borboletas compreende cuidar da assepsia do corpo físico, mas também da limpeza do olhar, da fala, dos gestos, dos pensamentos, das intenções e de tudo que agregamos à nossa volta.

A natureza é sábia, nos ensina que para sermos borboletas precisamos retirar de nós o que não somos, deixando apenas o que somos. Precisamos ser incorruptíveis, não deixar sujeira penetrar nossa intimidade e macular nossas vestes!

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