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CONDICIONAMENTOS


Não esperava pegar trânsito de domingo! Que terrível! Mas lá estava eu, encalacrada no meio de um monte de carros à volta do meu, praticamente parada. Dei uma olhada para a faixa da direita. Completamente livre. Ninguém ousava circular por ela. Era exclusiva de ônibus. Portanto, todo mundo se mantinha nas demais faixas da via. Afinal, quem quer levar multa?

No entanto, dei uma conferida na placa indicativa dos dias e horários de funcionamento do corredor de ônibus. Proibido circular pela faixa da direita de segunda-feira a sábado. Mas era domingo!

Não tive dúvida. Assim que consegui, peguei a faixa da direita. E que maravilha! Ultrapassei aquela fila enorme de carros parados à minha esquerda em poucos minutos. Praticamente ninguém atinava para o fato de que, aos domingos, era permitido circular pela faixa da direita e tampouco conferia os dias de funcionamento do corredor de ônibus.

O povo tinha incorporado o hábito de não transitar pela direita, já estava condicionado a seguir somente pelas faixas à esquerda. Não se aventuraria onde havia sido ensinado a não passar. Ficava, então, confinado em seu cantinho, limitado à realidade do trânsito terrível, sem perceber ou mesmo buscar outras possibilidades ou saídas para o que estava vivendo.

Esse é apenas um exemplo de condicionamento. Mas quantos outros incorporamos ao longo da vida, sem mesmo nos darmos conta? Apesar de eventualmente nos acharmos senhores de nós mesmos, donos de nossos narizes ou com liberdade de escolha, será que somos mesmo livres? Aparentemente, vivemos como leões enjaulados, limitados por condicionamentos diversos que restringem a visão, tolhem ações, modelam pensamentos, minam a iniciativa e sabe-se lá o que mais!

Ponto fixo, rotina e repetição sugerem que estamos vendo o mundo sempre de um mesmo jeito e que nos falta abertura para percebê-lo de outra forma. Concluí, então, que devo procurar identificar condicionamentos, eventos reincidentes, comportamentos e pensamentos recorrentes, que indicam prisão, revelam apegos, crenças, medos e expectativas pessoais. Entender o porquê de seguir consignas e hábitos que seguram em determinada experiência e percepção da realidade, impedindo de caminhar, enxergar adiante e experimentar novas possibilidades. Ter coragem de olhar para mim e largar apegos para morrer em uma realidade e renascer em outra. E assim, sucessivamente, ir além e mais além da consciência até então alcançada!


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