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GEOMETRIA E O DIA A DIA


Em geometria, um ponto representa uma posição no espaço, sem dimensão, pois não tem comprimento, largura ou altura. Se esticarmos o ponto para um dos lados, obteremos uma reta, representando uma dimensão, no caso o comprimento. Se puxarmos a reta em sentido perpendicular a ela, teremos um quadrado, formando um plano bidimensional, com comprimento e largura. Continuando com esse exercício, ao elevarmos o plano, chegaremos a um cubo tridimensional. O hipercubo de quatro dimensões, ou tesseract, se obtém na sequência, movendo-se o cubo em uma suposta direção perpendicular às três anteriores.


Podemos chegar a uma representação esquemática de um hipercubo de quarta dimensão a partir de animações que mostram como ele seria, visto de diferentes perspectivas. E é curioso notar que, ao observar o hipercubo 4D, o cubo que vemos dentro e o que vemos fora estão constantemente trocando de lugar, movendo-se de dentro para fora e de fora para dentro, em um movimento contínuo. Temos uma representação de quarta dimensão onde tudo está em movimento, nada é o que parece ser, o dentro também está fora, o fora dentro, ambos alternando-se constantemente.

Também existem representações ainda mais sofisticadas de hipercubos de dimensões mais acima, de 5D, 6D ou mais, que sugerem um centro aparentemente estático com, à sua volta, diversos hipercubos movendo-se, alterando lugares e transformando-se, em uma dança incessante.


Mas o que tudo isso teria a ver com o nosso dia a dia? Será que podemos estabelecer algum paralelo entre as características observadas nessas representações de entidades geométricas e estados de consciência ou modos de perceber e compreender o mundo no qual vivemos?


Quando com a consciência em um referencial tridimensional, percebemo-nos em movimento, em um mundo que nos parece fixo e perene, como o cubo também parado e fixo. Experimentamos a sensação de tempo passando e acreditamos no tempo linear, com passado, presente e futuro, nascimento, vida e morte. Vivemos em uma realidade determinada, estática e engessada, que consideramos única e a mesma para todos.

Acessamos a quarta dimensão quando consideramos e interagimos com um mundo invisível para o referencial 3D, mais sutil, com qualidades oníricas, onde o que pensamos acontece instantaneamente e onde se pode estar em qualquer lugar, a qualquer instante. Como na representação do hipercubo 4D, tudo pulsa, liga e desliga, é e não é, alternando positivo e negativo, afirmando e negando qualquer realidade ao mesmo tempo. Nem cabe tentar definir o que é bom ou ruim, pois esse tipo de julgamento deixa de fazer sentido, visto que a realidade que percebemos inclui céu e inferno alternando-se rapidamente no mesmo lugar e não dá para ficar apenas com 50% da vida, com a parte que mais nos agrada. Reparamos que estamos mudando sempre, em uma realidade igualmente em constante metamorfose. Não dá para querer manter um ponto fixo, ficar no mesmo lugar, em uma mesma realidade, apegado ao que se conseguiu agregar à sua volta, à imagem pessoal formatada ao longo dos anos, aos títulos adquiridos e tudo mais que criamos para a gente.


Na consciência, o mundo interno está parado e tudo em volta está em movimento. Observamos nas representações de hipercubos de dimensões superiores, que dão pistas de como a realidade é de verdade, que múltiplas estruturas geométricas em movimento coexistem, gravitando ao entorno de um centro sagrado fundamental. De modo semelhante, múltiplas realidades oníricas acontecem simultaneamente, bastando focalizar uma ou outra em específico para congelá-la e nos transferirmos para o mundo que chamou a nossa atenção. Saímos de uma visão de realidade fixa e única e percebemos o universo com uma infinidade de realidades possíveis, onde tudo existe ao mesmo tempo, está em constante metamorfose, e as fronteiras entre os seres se diluem. Aí, acordamos cada dia em uma realidade, morremos e renascemos várias vezes. Pois, conforme mudamos de ideia, alteramos sentimentos, emoções ou pensamentos, adentramos uma nova realidade, pulamos para outra possibilidade de arranjo das energias que compõem o universo.

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