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O CASAMENTO


A Igreja estava lotada, quando a noiva entrou. Toda de branco, com um buquê de margaridas nas mãos e uma tiara brilhante na cabeça, a moça parecia uma princesa de contos de fadas. Passou pelos convivas que a observavam com muito interesse, da cabeça aos pés, com os olhos voltados para o altar, onde o seu príncipe encantado a aguardava.

O noivo sentia o olhar da futura esposa, seu coração batia forte, o momento era especial. Quando sua amada chegou ao seu lado, deu-lhe um beijo carinhoso. O casal estava pronto. Apresentou-se, então, diante do padre que realizaria o matrimônio.

Este último era um sujeito sensitivo. Percebeu os sentimentos sinceros que animavam o casal e reparou que muita gente estava ali de coração limpo, lançando milhões de estrelinhas de luz para os noivos, desejando-lhes felicidade, prosperidade, vida longa e tudo mais. Porém, havia uma turma desagradável que, apesar de se mostrar sorridente, emitia pensamentos cheios de críticas, julgamentos ou interesses obscuros. O padre teve vontade de expulsar metade da congregação! Via as energias projetadas no ambiente, condensando-se no altar e envolvendo o casal.

“A vida não é um conto de fadas! Já, já o sonho vira pesadelo. O que é isso de vir com margaridas? Tinha que ser buquê de jasmim! Como o noivo não sabe fazer nó de gravata? Bobagem casar tão cedo, são jovens demais. Que consorte em futuro! O cara nem tem emprego bom! Ela tem jeito de gastadeira, vai torrar a grana dele. Que tiarinha ridícula e o salto tinha que ser mais alto!”

Havia ainda moças sentidas porque não tinham namorado ou, se tinham, não era aquele amor da vida delas. Também queriam se casar e ter filhinhos. Olhavam para a noiva com uma ponta de inveja, reparando em tudo que ela tinha e fazia, ou não! E quanto moço de olho comprido para cima da beldade de branco! Até casais, cujos relacionamentos andavam mornos, olhavam os jovens no altar com saudades de épocas antigas, gostariam de voltar no tempo, sentiam pena de si.

As pessoas nem percebiam que afetavam profundamente os noivos com seus pensamentos descontrolados, que efetivamente não diziam nada a respeito do casal, mas somente delas mesmas. O padre compreendeu que, antes de abençoar os noivos, teria que promover uma limpeza geral no ambiente e livrá-los da sujeira lançada sobre eles. O negrume de formas-pensamento nocivas que gravitavam ao redor dos dois, invariavelmente, em algum momento, lhes perturbaria a vida, atrapalhando o sono e afetando o relacionamento.

O santo homem apelou, então, para todas as divindades que conhecia e forças de luz do universo e promoveu um verdadeiro exorcismo, ali mesmo na Igreja, na frente de todo mundo. Fez uma reza brava e só faltou bater galinha preta para enxotar as maldições que recobriam o casal!

Aos poucos, as mentes doentias se aquietaram e o ambiente se tornou mais leve e luminoso, até que, finalmente, o padre pôde celebrar a união e abençoar o casal.


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