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O MERGULHO


Ju foi fazer um mergulho com cilindro no mar. Aprendeu as técnicas para passar por tal experiência e combinou com um instrutor de acompanhá-la durante os seus 30 a 40 minutos de exploração debaixo d´água.

E que experiência fenomenal! As águas estavam tão calmas e claras que Ju tinha a impressão de estar voando. Um mundo fantástico descortinava-se à sua volta com tartarugas enormes, peixes coloridos de todos os tamanhos, estrelas do mar, conchas lindíssimas, caranguejos e muito mais.

Ju estava tão encantada que não aguentou. Pegou uma concha, depois outra e mais uma, e outra ainda. Nem tinha onde colocá-las, mas dava um jeito de segurá-las. E aquela estrela do mar! Tinha que levá-la também. Ju catou até algumas algas interessantes e pedrinhas que brilhavam no fundo do mar.

Vendo isso, o professor de mergulho perguntou:

— O que você está fazendo? Por que fica gastando o seu tempo juntando coisas que não vai poder levar? Quando acabar o nosso tempo aqui, teremos que lagar tudo que pegamos!

Mas Ju não ouvia seu instrutor, sonhava com pérolas e uma coleção de conchas, pensava em si, suas coisinhas e seus interesses particulares. Além do mais, não conseguia desviar os olhos do jardim de corais que via à sua frente. Queria um pequeno coral de lembrancinha. Hipnotizada pela beleza do local, Ju foi ficando ali, nem imaginava que o fundo do mar oferecia inúmeros outros recantos fantásticos para se visitar. Só via aquela realidade ao seu redor, à qual já estava apegada.

— Há outros sítios igualmente magníficos — disse o professor, propondo-lhe explorar um pouco mais adiante, pois logo teriam que retornar à superfície, afinal não pertenciam ao fundo do mar.

Mas Ju continuava vidrada nos corais e, quando o oxigênio acabou, mesmo a contragosto, teve que deixar para trás a realidade maravilhosa que tanto queria eternizar. E não houve jeito, antes de sair da água, foi obrigada a lagar tudo que havia tomado para si e não lhe pertencia.

O mergulho compreendia passear por todos os lugares, olhar tudo, conhecer diferentes cenários e seres, mas não era para pegar nada. Tudo ali era temporário, remetia a uma realidade passageira momentaneamente visitada. Ela e o professor eram meros visitantes em trânsito naquele mundo.


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